Nasceu em meio a perturbações políticas em uma época em que nos espíritos já se delineavam idéias de liberdade e independência política. A escravidão negra já existia e desafiava o ânimo dos mais crédulos na igualdade das raças, despertando-lhes a revolta. Os idos de 1850 a 1860, a escravatura tendia os rumos novos, mas a sua abolição representava prejuízo para a economia do país. O poeta contava com 22 anos quando decretou-se a proibição de leilão de escravos. Depois, na Europa, veio a guerra entre França e Alemanha e aqui houve a guerra entre o Brasil e o Paraguai.

Castro Alves – nasceu e viveu em clima de grande efervescência político-social.

Sobre o poeta:

- traço de união entre o Romantismo agonizante e o Parnasianismo emergente;

- na sua obra lírico-amorosa, nota-se-lhe um caráter pré-parnasiano na forma onde a sensualidade classicizante preludia a lírica amorosa de Bilac;

- dicção impura, abuso de licenças poéticas, linguagem retórica e palavrosa;

- sua força motriz: eloqüência (imaginação) e doçura (sensibilidade);

- um dos maiores criadores de símbolos (antecipou o Simbolismo);

- sucesso do seu lirismo declamatório tem origem na raça brasileira;

- fez poesia contraditória, experiências várias e linha evolutiva ziguezagueante;

- virtudes poéticas: grande valor verbal, valor plástico das palavras, imagística sugestiva, coesão poêmica;

- despertam erros gritantes da estrutura política e social brasileira, mas o valor absoluto de sua poesia ainda é maior que as causas que ele defender;

- sua originalidade: sentimento de vida e experiência existencial.

Sua poesia: 1) poesia lírica de ficção confidencial;

                     2) poesia patriótica

                     3) poesia social;

                     4) poesia laudatória;

Apegou-se à máxima de Victor Hugo que afirmava “não estar a poesia na forma das idéias, mas nas suas próprias idéias.”

Victor Hugo: grande influência na sua obra:

               “Cismando ao pôr-do-sol, num pensamento

               Do nosso velho Hugo

               Mestre do mundo! Sol da Humanidade!”

- Não foi o cantor do seu tempo, mas o tem sido para todos os tempos. Seu sentimentalismo não é passageiro porque ele viveu a alma nacional, incitando os homens a realizações mais humanas.

- Via na República a solução das fatalidades históricas:

               “A liberdade| é como a hidra|

               Se no chão rola sem força| Mais forte no chão se ergueu.”

- Emprestava imensa importância à ação do povo:

               “Povo, povo infeliz, povo... mártir eterno.

               Tu és do cativeiro o Prometeu moderno.

               Enlaça-te no poeta a cadeia das Leis,

               e pescoço de abutre é o cetro de meus reis.”

- Sua grande preocupação: a liberdade dos escravos.

O maior sofrimento dos escravos não é o corporal: mas a saudade das terras africanas e a falta de liberdade.

               “Ontem simples, fortes, bravos, sem ar, sem luz, sem razão

               Hoje, míseros escravos”

- Nas cenas de transporte dos escravos para o Brasil e em todas as outras referentes ao cativeiro: mais ênfase as retóricas, eloquência dos melhores dialetos; profundo sentimento poético, emoção sincera e uma idealização artística da situação do continente maldito e as reivindicações que o nosso ideal humano lhe atribui. (Vozes d’África).

- Grande perfeição da forma/ correlação das palavras e pensamento/ expressão derramada e, às vezes, concisão forte que realça a composição , com imagens novas, verdadeiras, belas de fato/ representações que atingem o perfeito e o sublime.

- É um legítimo condoreiro, devido ao atrevimento das palavras, amplas e poderosas, da liberdade de metáforas e antíteses, do grande poder de imagens e força de expressão:

               “Era um sonho dantesco!... o tombadilho

               que das luzernas avermelha o brilho,

               em sangue a se banhar.

               Tinir de ferros... estalar de açoite...

               legião de homens negros como a noite,

               horrendos a dançar...”  (O NAVIO NEGREIRO)

- Há uma faceta na poesia social de Castro Alves que em um poeta medíocre seria anacronismo: poesia sobre o tráfico de escravos feita depois da lei antitráfico.

- Ele chegou a apelar para a própria guerra:

               “Homens! Esta lufada que rebenta/ é o furor da mais lúgubre tormenta.../ – Ruge a revolução!...”

- Relembra os jesuítas, a grande obra missionária do Cristianismo

               “Grandes homens! Apóstolos heróicos!

               Eram eles que o Verbo do Messias

               pregavam desde o vale às serranias,

               do pólo ao Equador.”

- Como poeta lírico, Castro Alves foge à pieguice cansativa é humano, singelo e profundo. Deixa de lado a ênfase notória. Desprende um ardor juvenil. O sensualismo plástico da natureza, das mulheres conferiu-lhe o papel de precursor do parnasianismo.

Lirismo sem atitude submissa às mulheres. Suas musas são criaturas de carne e osso, irradiando vida.

               “Mulher do meu amor! Quando aos meus beijos

               Treme tua alma, como a lira ao vento,

               Das tetas do teu seio que harmonia

               Que exalas de suspiros, belo alento!”

- Todos os dotes da amada merecem do poeta um canto terno e delicado: os cabelos e os olhos notadamente:

               “Como um negro e sombrio firmamento

               Sobre mim desenrola teu cabelo.”

               “Teus olhos são negros, negros, / Como as noites sem luar.../

               São ardentes, são profundas, / Como o negrume do mar.”

- Pressentiu a presença da morte muito cedo. Encarou-a de frente e não se viu morto antes da vinda da “indesejada da gente”. Longe de amedrontar-se, exalta-a:

               “Eu sei que vou morrer... dentro em meu peito

               um mal terrível me devora a vida.”

               “Amigo! O campo é o ninho do poeta...

               Cantar! Que a morte é divina.”

               “Há duas coisas neste mundo santas:

               ­ – o rir do infante – o descansar do morto...”

Poeta da natureza, Castro Alves deixou para a literatura as mais arrojadas pinturas da paisagem brasileira:

               “Já de listrões vermelhos/ o céu se iluminou...”

               “E eu escutava o conversar com as flores.”

               “Abre-me o seio, ó Madre Natureza!

               Troca dest’alma a fria morbideza

               Nossa ubérrima seiva soberana!...

               O “pródigo” do lar procura o trilho...”  

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