CONTEXTO HISTÓRICO

A Europa do século XVIII caracteriza-se por mudanças marcantes.a) Intenso progresso científico:- Newton formula a lei da gravidade;- A Psicologia formula as leis das sensações;- A Biologia classifica os seres vivos.b) Desse progresso resulta a tecnologia e o conseqüente aumento de produção.Generaliza-se a idéia de que negócios e ciências constituem campos separados da religião.Todas essas mudanças caracterizam um movimento cultural que define a fisionomia da Europa no século XVIII 
– O ILUMINISMO.

O Iluminismo (de iluminar = esclarecer) designa um esforço cultural cujo objetivo era a atualização de conceitos, leis e técnicas, assim como uma maior eficácia na ordem social. Tudo se baseava numa concepção de progresso, que é considerado como um meio de trazer maior felicidade ao maior número de pessoas.No início do século XVIII ocorre decadência do pensamento barroco, para o qual colaboraram diversos fatores: o exagero da expressão barroca havia cansado o público e a chamada arte cortesão, que se desenvolvera desde a Renascença, atinge em meados do século um estágio estacionário e mesmo decadente perdendo terreno para o subjetivismo burguês; o problema da ascensão burguesa supera a questão religiosa; surgem as primeiras Arcádias, que procuram a pureza e a simplicidade das formas clássicas; no combate ao poder monárquico, os burgueses cultuam o “bom selvagem”, em oposição ao homem corrompido pela sociedade do “Ancien Régime” (“velho regime”). Como se observa, a burguesia atinge a hegemonia econômica e passa a lutar pelo poder político, então em mãos de monarquia. Isso se reflete claramente no campo social e artístico: a antiga arte cerimonial cortesã dá lugar ao gosto burguês.

MOMENTO BURGUÊS

 – Em meados do século XVIII, surge na Inglaterra e na França uma burguesia que passa a dominar economicamente o Estado, através de um vasto comércio ultramarino e da multiplicação de estabelecimentos bancários, assenhorando-se mesmo de uma parte da agricultura. A velha nobreza arruína-se. Os religiosos, com suas polêmicas, levam os problemas teológicos ao descrédito. Em toda a Europa, tais circunstâncias são semelhantes, e as influências do pensamento burguês se alastram.

- Em 1746, Montesquieu publica “O Espírito das Leis”, obra na qual propõe a divisão do governo em três poderes (Executivo, Legislativo e Judiciário).- Voltaire, como Montesquieu, relacionado com a alta burguesia, defende uma monarquia esclarecida.

- Em 1751, dirigido por Diderot e D’Alembert, aparece o Discours Préliminaire de L’encyclopédie, cultivando a razão, o progresso e as ciências.Importante papel desempenhou Jean Jacques Rousseau (“O Contrato Social”), defensor de um governo burguês e do “bom selvagem” (o homem nasce bom, a sociedade que o corrompe), portanto, o homem devia voltar para o refúgio da natureza pura. É dentro desse quadro que se desenvolve o Iluminismo europeu, transformando o século XVIII no “Século das Luzes”, que resulta no despotismo esclarecido, governo forte dando segurança ao capitalismo mercantil da burguesia e preparando terreno para a Revolução Francesa.E o Iluminismo francês, baseado no culto das Ciências, da Razão e do Progresso, impregnam larga audiência de intelectuais pelos quatro cantos do mundo.- Neoclassicismo é uma designação aplicada a toda produção literária do século XVIII. O Arcadismo está dentro do neoclassicismo.COMO SURGIU EM PORTUGAL

 – A Península Ibérica colocara um cordão de isolamento ao Renascimento, ajudada mais ainda pela Comissão do Santo Ofício, que queimava documentos, acusava de heresia e combatia o “cristão novo”, que fora mascate, dono de loja, e, subindo cada vez mais, se enriquecia. A nobreza, então, começou a decair.O Santo Ofício dava ao “cristão novo” cruéis castigos: a fogueira, a prisão perpétua (o que aconteceu com Bento Teixeira, quando a Comissão esteve aqui no Brasil).Em Portugal, com o Barroco, os jesuítas tomaram conta do ensino. Nessa época, o Marquês de Pombal resolve fazer uma reforma. Chama, para isso, as pessoas que estavam fora que, amedrontadas, haviam deixado Portugal, por ocasião da invasão do Santo Ofício. Esses voltaram asua pátria com suas idéias especiais, criadas pelas circunstâncias, que foram resultar no novo estilo, na nova época. E essa época é muito importante, porque daí é que começaram a surgir sintomas da época moderna.Veio o conflito do Absolutismo e do Liberalismo. Esse conflito foi o resultado da condição dos nobres decaídos. Eram chamados de “déspotas esclarecidos” e eram reis que se colocaram junto ao burguês para conseguir com eles o dinheiro para manter a vida, pois viviam em decadência. Deixaram, pois, o absolutismo total. O Liberalismo correspondia à situação financeira de economia, o que fez surgir dois liberalistas: Adam Smith, que é chamado o otimista e Malthus, discípulo de Adam que constrói um sistema oposicionista ao seu mestre: era um pessimista.Os filósofos dessa época são chamados Racionalistas. Era o filósofo que procurava descobrir u princípio material como princípio de vida. Era o Materialismo. Não aceitavam a idéia de Deus ser o princípio de todas as coisas. Eram antropocêntricos e humanistas. Pregavam a presença de Deus na natureza. Esses filósofos do Neoclassicismo seguiam a Aristóteles e não a Platão: Aristóteles – materialista (“Homem adquire idéias depois que nasce”). Platão – idealista (“Homem nasce com idéias”).

- A cultura iluminista significa “Triunfo da Razão”. Ainda podemos definir Arcadismo como movimento neoclássico, originado na Itália, em 1690.ARCADISMO PROPRIAMENTE DITO - Em Portugal, quase nada se fazia, ocupando-se D. João VI – 1750 a 1777 – do desenvolvimento da colonização do Brasil - da restauração das energias do seu país, mas permitindo a ostentação escandalosa de sua corte.O povo afunda-se na miséria, enquanto as cortes arrastavam um luxo, onde se misturavam a hipocrisia e a devassidão. O falso espírito religioso acorrentava as mentes. A instrução pública não se fazia senão pelas cartilhas jesuíticas.Só a França se mostrava mais desenvolvida. Havia prestígio político e fama nas letras.A partir da 1ª metade do século, o espírito academista francês se impõe perante a mentalidade portuguesa.O Marquês de Pombal expulsa de Portugal a Companhia de Jesus. E Portugal passa a acompanhar essas reformas. A Universidade transforma-se. A escolaridade, aos poucos, via-se tornando laica e aberta às idéias novas que circulavam rompendo um século e tanto de influência espanhola.O Marquês de Pombal (Ministro de D. José I, que reina até 1777), promove uma série de medidas tendentes a colocar Portugal ao nível da cultura européia, especialmente, a francesa. Incrementada a instalação do espírito iluminista, houve a importação de professores estrangeiros e a Universidade conhece uma fase de agitação intensa, com grande atividade científica e filosófica.O terremoto de Lisboa (1755), dá oportunidade a Pombal de demonstrar sua capacidade e seu tino administrativo: uma cidade ampla, moderna, arrojada para os padrões da época, surge dos escombros.Acontece, porém, a queda de Pombal. Toma a dianteira dos fatos um grupo de homens dentre os quais o Duque de Lafões, que funda a “Academia Real das Ciências” (segunda academia oficial portuguesa).A Academia recém-fundada está desejosa de se equiparar, em grandeza, às similares espalhadas pelo resto da Europa. Respira-se um verdadeiro clima de efervescência cultural, no qual imerge a estética literária do Arcadismo.Funda-se a Arcádia Lusitânia (símile da Arcádia Romana).Esse movimento é todo em oposição ao Barroco.A paisagem é por demais agradável, o que gera o “locus amoenus” (oposição ao “locus horrendus” do Barroco). “Locus amoenus” é a natureza agradável, viva, radiante, que o poeta do Arcadismo tanto apreciava. A natureza pode oferecer solução de felicidade para o homem. Daí a importância do Bucolismo.A divisa do Arcadismo e a “inutilia truncat”, com a qual desejam testemunhar seu repúdio ás coisas inúteis, que adornavam a poesia barroca.Os árcades querem restaurar a volta da autêntica poesia clássica. Para consegui-lo, apreendem uma espécie de viagem no espaço e no tempo, em busca das fontes originárias do Classicismo.Detêm-se no século XVI e dele aceitam o Pastoralismo e a poesia camoniana. Saltando por cima dos séculos medievais que tinham lançado o esquecimento da literatura, chegam à Antigüidade Greco-latina, o fim da viagem.Na ideal e mitológica Arcádia, região grega de pastores e poetas, vivendo em meio a uma natureza sempre idílica, localizam seus planos de plenitude poética. É com base no mito da Arcádia que erguem suas doutrinas, destruindo a marca do mau gosto que se havia instalado na poesia barroca.Eles procuravam realizar obra semelhante e dos clássicos antigos. Daí a imitação dos modelos greco-latinos ser a primeira característica a considerar na configuração da estética Arcádia. O mais vem do desenvolvimento dessa “idéia-matriz”: o elogio de vida pura em face à natureza,no culto permanente das virtudes do espírito; fuga da cidade para o campo (“fugere urbem”), pois a cidade é considerada foco de mal-estar e corrupção. Há o desprezo do luxo, da riqueza e de todas as ambições que enfraquecem o homem. Há o elogio da vida serena, plácida, elogio da velhice com exemplo desse ideal tranqüilo da existência, elogio da espontaneidade primitiva, pré-civilizada.Por outro lado, há o gozo pleno da vida, a contemplação da beleza e da natureza. Pressupõe certo epicurismo, que equilibra as tendências estóicas no movimento. Por fim, a presença da Virgem Maria, que se explica por sua condição de neoclássicos católicos.Quanto à estrutura literária, ainda seguem os modelos antigos (defendem a separação de gêneros, a abolição da rima, o emprego de metros simples, o despojamento do poema, a importância da mitologia).Adotam pseudônimos pastoris para que o fingimento poético seja maior e os imaginam em um mundo habitado por deuses e ninfas, uma natureza e um tempo absolutamente fictícios.

ARCADISMO NO BRASIL - ARCÁDIA ULTRAMARINA

Por pesquisas feitas, sabe-se que a “Arcádia Ultramarina” ou “Colônia Ultramarina” teria sido fundada em Vila Rica (Ouro Preto).O movimento Arcádico no Brasil foi representado pelos poetas do Grupo Mineiro.Depois das lutas contra o estrangeiro, culminadas nas duas batalhas dos Guararapes, das conquistas dos sertões, valorizadas pela descoberta das minas, e das Guerras dos Mascates e dos Emboabas, começou a crescer, em face do português, a figura do brasileiro, do mestiço físico e moral, cujos sentimentos e cujo caráter já não eram como dantes, obras de elemento exclusivamente lusitano.Os alicerces de uma nova nacionalidade se desenhavam nitidamente; a voz do povo já se fazia escutar com acentos e timbres diferentes e, no ponto de vista puramente intelectual, ainda predominava a lição da Universidade de Coimbra, embora a feição de nossa gente apresentasse profundas modificações.Os doutores e os eruditos ainda estavam presos a Portugal, mas a plebe tinha os olhos voltados para a terra natal, para a dura gleba tão enrolada pelos senhores de ultramar.Os erros de sistema de colonização, empregados pela metrópole, principiavam a produzir os primeiros frutos do descontentamento surdo dos colonos. Aquelas “montanhas e minas de esmeraldas”, só serviam para alimentos dos tesouros portugueses, enquanto os impostos cresciam assustadoramente e as arcas de ouro iam para Lisboa.Querendo aproveitar-se de tal situação, se é que, realmente, o quiseram, alguns homens, mais idealistas que práticos, tomaram a dianteira de um movimento separatista. Sem conhecer a alma popular, sem uma prévia e demorada sondagem dos seus sentimentos, sem saber se as massas estariam preparadas para bater-se pela sua independência política e social, os heróis da Inconfidência Mineira viram malogrados os seus intuitos. Não é com poetas e teoristas que se faz a liberdade de uma raça, quem fez a Revolução Francesa não foi Voltaire com suas sátiras, nem Rousseau com seus romances. Foi a fome, com suas dores e misérias

  • Facebook
  • Twitter
  • Google plus