A)Substantivo é palavra flexionável, de conteúdo nacional que dá nome aos seres e entidades, em geral, bem como  às ações, aos estados, às qualidades e aos fenômenos desvinculados do seu relacionamento com o ser e com o seu aspecto dinâmico.

EX: pedra, beleza, Deus, trovão.

*O substantivo é concreto quando dá nome aos seres e entidades. Não se cogita aí a natureza do ser, de suas propriedades, nem mesmo  da existência ou não de ser-- desde que haja a sua configuração como ser, ainda que pela imaginação .

EX: casa ,gelo, relógio, Deus, saci.

*O substantivo abstrato é aquele que não se vincula ao ser e escapa a experiência dos nossos sentidos. Podem indicar:

a)ações: embelezamento, condução;

b)qualidades: formosura, beleza;

c)estado: sono, morte, vida;

d)fenômeno: nevasca, ventania;

           Um nome de ação pode considerar-se substantivo abstrato e concreto, dependendo do contexto. EX: A aliança dos gregos contra os troianos(abstrato); uma aliança de brilhante.

            Segundo nos diz Rodrigues Lapa, temos oportunidade de observar certos conceitos abstratos que  podem ter uma face concreta e muitos nomes concretos que podem empregar-se no sentido abstrato.

                O nome beleza é sem duvida uma palavra abstrata, mas, se ao   pronunciá-lo ou ao escrevê-lo, tenho diante dos olhos a imagem de um retrato ou qualquer coisa que para mim tido como exemplo de beleza o substantivo adquire valor concreto. Assim acontecia com os gregos e romanos que para esses nomes como destino, beleza, morte eram, de certo modo, concretos, porque ao pensar neles, eles tinham diante dos olhos as figuras da sua mitologia .Para os romanos a visão de beleza andava ligada a uma estatua de Vênus.

                 Um indivíduo que tem sono faz trejeitos, ressona, boceja; ligado a essas manifestações corporais o substantivo já não é tão abstrato.

                   A  palavra silêncio provoca em nós as sensações contrarias ao ruído ;sentir a quietude de uma sala, por exemplo, torna o substantivo menos abstrato.

                  Muitas vezes,  um nome concreto pode deixar de lado o seu sentido material, revestindo-se de um sentido especial e por isso espiritual, EX: Ele era o sol da nossa vida. Carlos era o braço direito do pai.

Estavam ligados por laços de sangue. Os substantivos sol, braço, sangue passam de concretos a abstratos :sol significa conforto, encanto; braço significa apoio; sangue significa parentesco. É um processo de linguagem figurada.

                 Existe uma outra espécie de substantivo chamado coletivo e é o substantivo que configura como uma entidade, um agrupamento de seres. Alguns deles sugerem a espécie a espécie de ser existente no agrupamento: boiada, cardume, etc.

               Outros por sugerirem apenas o agrupamento, necessitam de acompanhar-se de adjunto adnominal: um bando de pássaros, uma junta de bois.

*O substantivo coletivo também pode ter uma face concreta e uma face abstrata. Por exemplo: pinheiral- há duas representações : a da quantidade global que é a face abstrata e a dos pinheirais considerados mentalmente um por um que é a face concreta. Sendo assim temos a ideia abstrata do todo e a visão concreta das partes.

Quanto à  denotação os substantivos podem ser:

Substantivos Comuns - envolvem em sua significação um conjunto constante de propriedades essenciais, não particularizam o ser,(e quando/se quer fazê-lo acompanham-se de determinativos) fazem a designação de uma espécie.
    A princípio, eles eram empregados para indicar um ser isolado ou objeto eram idênticos e; por isso, se lhes aplicou a mesma de nominação . Em sua maior parte, esses substantivos são de origem latina, mas há os que a língua criou com os seus próprios  recursos.

EX: cão ,gato, homem, cerveja ,país, etc.

b)Substantivos Próprios - fazem a designação particularizada do ser distinguindo da espécie a que pertence.

Designam entes animados ou inanimados.

EX: Carlos ,Plutão.

Com referência  aos nomes próprios de pessoas há os que lhes pertencem como uma propriedade individual como os de batismo e os que lhes pertencem em conjunção com outros membros da família.

Os nomes de batismo são de introdução eclesiásticas, outros resultantes das invasões . A maioria deles originam-se do latim,/grego, hebraico e germânico, além, de no Brasil, acrescentarmos os de procedência indígena.

Por insuficiência de pronúncia que servem ate para exprimir carinho, temos: Chico, Chiquinho ,Chiquito ,Nando que são os chamados hipocorísticos.

Observando ainda os nomes de pessoas veremos que podem descer de próprio a comum, verificando as qualidades e defeitos que se podem transferir a outros seres.

Os personagens históricos, artísticos e literários tem em seus nomes a significação de suas qualidades.

EX: fulano é um Judas(traidor)

      Tartufo (homem hipócrita)

        Benjamin (filho predileto)

            Cicerone(guia de estrangeiro)

           Dom-João (dom-juan ) homem galanteador.

Passam a Substantivo comum os nomes próprios  de fabricantes e de lugares.

EX: Champanha, da região francesa Champagne.

       Sanduíche (do conde Sandwich)

                 Ele pode deixar ainda de particularizar o ser para dominar a espécie.

EX: Beber umas Brahmas.

          Sobre o ponto de vista morfológico, o substantivo pode ser:

1)Substantivos Primitivos - são aqueles cujos elementos constitutivos não são nitidamente depreendidos no funcionamento atual da língua ,isto e, aqueles em que a raiz não se mostra acompanhadas de afixos.

EX: casa, pedra, ferro.

2)Substantivos Derivados - aqueles cuja estrutura formal possibilita a assinalamento de elementos afixais junto a raiz.

3)Substantivos Simples - aqueles em que identificamos a presença de uma so raiz.

EX:  ferr- o

       Ferr- ugem

4)Substantivos Compostos - aqueles em que identificamos a presença de mais de uma raiz

EX: pau –ferro

      Plano-alto

      Couve-flor

É preciso que se lembre que qualquer vocábulo precedido de artigo torna-se substantivo:

“O porquê da briga”

“Um mais em cada vida”

“Um que de sutil” .

           B)Adjetivo

           Como o adjetivo pouco difere do substantivo numa realidade linguística, trataremos agora do adjetivo para melhor compreender as espécies a serem concluídas.

 *É palavra flexionável, de conteúdo nocional que denota uma qualidade do ser vinculando-se ao substantivo que o designa como o seu adjunto adnominal ou predicativo.

  EX.: vidro azul.

A própria origem do nome tem mais de adjetivo do que de substantivo. Com efeito, no princípio, todos os seres foram designados por uma qualidade fundamental que os caracterizava. Esse processo, usado na formação dos substantivos, percebe-se ainda hoje.

EX: Para designar um curso de água podem considerar-se duas ideias fundamentais: o próprio derivar da água e, nesse caso, o objeto chamar-se-á corrente, torrente, cachoeira, etc, ou visto de mais longe, o aspecto sinuoso das margens ,das ribas, e, nesse caso ,dar-lhe-emos o nome de rio, regato , ribeiro.

Isto seria na origem; hoje a palavra rio lembra a imagem total do objeto- correr da água.

E, assim, dizemos: o rubro das papoulas ,o idiota do rapaz, substantivando o adjetivo.

Assim dizemos “uma beleza de criação”,” uma maravilha de construção”, pondo o substantivo de qualidade à frente da coisa. Também se usa o substantivo em lugar do adjetivo: ”com que ânsia tão/raiva/Quero aquele outrora”  ( F. Pessoa)

Divisão do adjetivo

A)Primitivo ou derivado

B)Simples e composto

     -Os conceitos aí explicáveis são os mesmos que expusemos para os substantivos.

EX: Primitivo

-planta verde, vidro azul (derivado)

-bosque verdejante ,janela azulada.(simples)

-tecido azul

-terno azul-marinho( composto )

Existe a locução adjetiva que é o nome que se dá a um conjunto de palavras, via de regra preposição + substantivo que equivale a um adjetivo.

EX: homem de valor (valoroso)

      Música do povo (popular)

      Perímetro da cidade(urbano)

São de extraordinária importância na arte de escrever. É elemento fundamental da caracterização dos seres.

    A estilística tem uma noção muito mais longa do adjetivo do que a gramática: para ela tudo quanto sirva para caracterizar, jeito de entoação(ou entonação),palavra ou frase, vale como adjetivo.

Casos principais de palavras ou locuções que podem assumir função adjetiva.

1- Isto é que é um rapaz!
         -a entonação aqui é que é o elemento caracterizador. Conforme a maneira de entoar, assim a frase significa bom e mau rapaz. O artigo indefinido, pelo seu caráter intensificador, auxilia essa função adjetivante.

         2- Mando-lhe este jornaleco.

          -na palavra jornaleco há duas representações: a de um substantivo e a de um adjetivo, a do objeto e a da qualidade: mau livro.

          Portanto, certos substantivos expressivos trazem um só elemento caracterizador.

         3- Vestia uma bata rosa.

          - O substantivo rosa qualifica outro substantivo(vestido). O caso é frequente com os nomes de cores.

         O próprio  substantivo composto pode servir de adjetivo: “Essa rapariga tem a história mais planta de estufa que eu conheço” (planta de estufa significa caseira).

          4- Passeamos num barco a vela.

          -A locução a vela formada de substantivo precedido de preposição é equivalente a um adjetivo: barco  veleiro

Mas, o substantivo não carece de preposição para ter capacidade de um adjetivo:

Surgiu um homem alto ,cabelos brancos, olhos tristonhos, rosto sofrido.

Os substantivos e os qualificativos  que os acompanham valem por autênticos adjetivos.

Por vezes, o substantivo encontra-se precedido do artigo como nesta frase:

Nos campos pousavam lindas garças, o bico longo, semioculto no colo.

Tudo, processos de caracterização com o emprego do substantivo.

      5- Não  deves andar com pessoas que mentem.

       -Aqui a oração de pronome relativo equivale ao adjetivo mentiroso.

Por isso, em gramática, essas orações são denominadas pelo nome de adjetiva.

        6- Os artistas, cantando, voltavam ao trabalho.

      -Neste caso, o gerúndio cantando caracteriza ao mesmo tempo o sujeito (artistas) e, nesse caso, é um adjetivo, mas também pode caracterizar o verbo ( voltarás cantando) , nesse caso é um advérbio.

As duas funções compenetram-se aqui. Entretanto, Fernando Pessoa um escritor moderno tem artes de fazer do gerúndio um puro adjetivo.

“Pelo grande coberto não cobrindo nada das aparências”

São estas maneiras principais que a língua se serve para caracterização.

Assim Eça de Queirós escreveu: ”Numa  sala forrada de papel escuro, encontramos uma senhora muito alta, vestida de preto ,com um grilhão d’ouro no peito, um lenço roxo amarrado no queixo, caia-lhe num lenço lúgubre sobre a testa, e no fundo dessa sombra,  negrejavam dois óculos defumados.”

    Aqui está um grande escritor que descreve uma senhora beata pelo sábio emprego dos instrumentos de caracterização.

     Os adjetivos podem conter uma significação concreta ou abstrata

   .Abstrato e  Concreto

1-     O tempo está fresco.

-Temos uma sensação física de frescura.

Uma lembrança fresca.

-O adjetivo está no sentido espiritual (significa recente).

O primeiro é concreto, o segundo, abstrato.

        Na linguagem moderna, o adjetivo abstrato adquire uma personalidade ativa, no esforço para se tornar concreto, avulta a qualidade acima do objeto.

 EX:” Relvas picadas da vivacidade das corolas” (Fialho de Almeida). Se escrevêssemos “relvas picadas, de corolas vivazes”, poderíamos ser mais lógicos ,mas éramos menos expressivos

2-     Brinquedo de criança

   -Em si é concreto, mas pode ser abstrato fazendo referência aos brinquedos do período infantil.

      O frade observou sempre o jejum religioso.

    -abstrato em si, concreto como uma prática religiosa;

     Fez-se na sala um silêncio religioso.

     -abstrato em si, concreto no sentido da intensidade do silêncio;

     -história universal.

     -abstrato em si, concreto quando pensamos fatos que compõem a história;

      Uma casa azul

     -abstrato em si, é concreto porque se percebe;

     Recado oral

      -abstrato em si, concreto porque se sente.

    Consideramos também o valor intelectual e afetivo do adjetivo na frase:

       O frade observou sempre o jejum religioso  - o adjetivo tem valor intelectual, significa apenas jejum preceituado pela religião.

     Em “Fez-se na sala um silencio religioso

        -o adjetivo aparece impregnado de sentimento e o termo é usado no sentido figurado.

  Em história universal, temos a representação de uma história que abrange os sucessos fundamentais de todas as nações. O sentimento não intervém.

     Em remédio de forma universal o adjeto carrega um pouco de sentimento, em uma só ideia de intensidade, acompanhada de exageros de sentimentos.

   Quando dizemos uma casa azul ,sabemos que ela não é toda azul, apenas exteriormente pintada de azul.

Um sonho azul”, pode ser um sonho bom, acalentado com felicidade;

“Um lápis azul”, pode ter de azul só a parte com que se escreve. Aí está o valor do adjetivo em diferentes situações.

                                       Posição do Adjetivo

Fato importante é a posição do adjetivo na frase.

O português e o espanhol admitem liberdade na posição do mesmo.-

-A criança pobre não ganhou presentes.

-Pobre da ideia de ação contínua, valor atributivo e quer dizer pobreza financeira.

      A pobre criança foi reprovada no exame.

-Pode ser uma criança extremamente rica. O adjetivo tem valor determinativo, pobreza espiritual (infelicidade), ação momentânea.

             O verde prado.

-Verde determinativo, não designa só cor, mas a beleza que a mesma produz, valor um tanto abstrato.

 O prado verde

-o valor atributivo, especifica o prado, sentido concreto.

      O primeiro é visto com os olhos do coração e o segundo, com os olhos  reais.

   O trigo loiro

 Valor também atributivo, especifica o trigo, sentido concreto.   

  O loiro trigo

Valor determinativo, não designa só a cor, mas a beleza do trigo, valor um tanto abstrato.

Assim “uma moça bela” pode não ser uma bela moça,a primeira tem beleza física , a segunda tem beleza moral.

Suave melodia, valor determinativo.

-intensifica a suavidade da melodia, valor abstrato, sem grande precisão.

Sábio professor -valor determinativo.

-pode abranger a sabedoria em sua totalidade, sentido abstrato.

Prudente reserva - Valor determinativo da qualidade menos precisa e menos intensa, valor abstrato.

Reserva prudente - concreto, atribui qualidade continua e intensa.

Valor atributivo

Grave acidente.

- ação menos intensa.

Acidente grave.

-ação mais intensa.

A pátria, satisfeita, recebeu os ossos do herói.

-valor atributivo momentâneo, pouco alvoroço de sentimento.

Ingrata pátria, não receberas esses ossos!

-valor determinativo, contínuo, a ingratidão caracteriza a pátria sentimental e abstrato.

       Conclui-se que o adjetivo anteposto da uma ideia abstrata, observação sentimental.

     O adjetivo anteposto, abrange a totalidade ressalta uma ideia abstrata, vago, quando posposto intensifica o valor do substantivo.

        Adjetivo empregado como substantivo.

Usa-se o adjetivo como substantivo, tanto na linguagem correta como na literária. Já dissemos que muitos substantivos foram a principio adjetivos.

EX: A corrente, a palhoça –o ouvinte- o inverno e ainda hoje é comum dizermos: o sábio, o justo, o tímido, um preguiçoso (personifica através do artigo).

Num belo exemplo estilístico dizemos:

-O infeliz rapaz, equivalente a infelicidade do rapaz e com maior força de sentimento ainda dizemos: o infeliz rapaz, com o adjetivo substantivado menos dependente do substantivo porque esta separado dele pela preposição.

Fez-lhe sentir o tortuoso do seu procedimento. Poderíamos escrever a tortuosidade, mas o adjetivo precedido do artigo é mais expressivo, dá mais realce a qualidade.

Os vocábulos muito extensos devem ser dispensados em um bom português.

Lembremo - nos de que há casos de substantivação que foram uma condensação excessiva como “E ante os agradecimentos do comovido, Firmino entrou”

Para uma boa compreensão, teríamos de dizer :

-“do companheiro comovido. ”Outra frase do mesmo autor: “ Não contente com o laconismo, o loquaz insistiu. Melhor seria se disséssemos popularmente  “o tagarela” pois “loquaz” é um adjetivo de caráter literário e ali o que convinha era o termo literário. Mais eis um exemplo muito expresso: ”A mesma pena que na frieza nos espanta, no ardente do amor, grande alegria no dera”(F. R. Antônio das Chagas)

Existe o substantivo vulgar e o adjetivo literário

Nem sempre os componentes ligam bem entre si porque há elementos que julgam mais fidalgo do que os outros, muitos buscam adjetivo como em línguas cultas como o latim e grego.

Assim temos o adjetivo literário para o substantivo vulgar.

EX: Linha de fogo

(linha ígnea)

Torre de marfim

(torre ebúrnea)

É preciso cuidado com o uso de adjetivo, nada representa o fato de carregar a frase de adjetivos se não souber dispô-los.

EX: ”No lindo Campanário ouvem-se as baladas que anunciam a missa”

-o adjetivo lindo nada significa, pois não ,nos dá ideia de nenhuma qualidade do campanário.

c)o advérbio: os advérbios portugueses derivam-se do latim. Conceituamos advérbio como palavra de natureza nominal: simplesmente(de maneira simples)ou pronominal (aqui-aí-ali) e modifica ou circunstancia a significação:

       a)de um adjetivo(letra muito boa)

      b)de um verbo(escreve bem)

       c)de outro advérbio(escreve muito bem)

      d)de toda uma frase(finalmente, ele escreveu)

      O advérbio de natureza nominal

     a)de lugar :antes, depois, etc.(indicam situação no espaço)

     b)de tempo: hoje, ontem, agora, etc.(situação no tempo com referencia ao momento em que se fala):cedo, tarde, antes, depois, etc.(situação relativa a um momento focalizado;

       c)de modo: andar depressa(indica modalidade do processo verbal ou da qualificação adjetiva).

 Entre os advérbios nominais devem-se ressaltar ainda os adjetivos adverbializados(do tipo de :caro, barato, rápido) etc., em expressões como: comprar caro, vender barato, convencer-se fácil ,falar  baixo ,cantar alto, descer rápido);bem como os advérbios constituídos da junção do sufixo mente a forma feminina do adjetivo: claro-claramente ,delicado- delicadamente).

    É de assinalar que alguns adjetivos em ÊS e ER do tipo de português, superior, tinham na língua arcaica uma única forma para masculino e feminino, razão pela qual dizemos hoje:” portuguesmente e não portuguesamente.”

Numa sequência de advérbio em mente, usa-se, de modo geral ,o sufixo apenas no último: ”fala grave ,pausada e agradavelmente.”

As locuções que tem  como um nome(substantivo ou adjetivo),no singular ou no plural e no masculino ou feminino, regido da preposição regente(às vezes, são construções idiomáticas por fossilização do emprego do nome como complemento circunstancial).

Muitos gramáticos tratam o advérbio como palavra invariável, sem muitos valores estilísticos. Convém, no entanto, frisar que ,nem sempre ,os bons autores veem o advérbio desse modo e lhe dão flexões, que não seja só a de grau. São  rasgos de estilo que pretendem modificar a categoria das palavras, convertendo os advérbios em verdadeiros e expressivos substantivos. Provam isso exemplos de Francisco Antônio das Chagas: “Eu ,valíssima criatura, cujos antes não foram nada ,cujos agoras são um pó, cujos depois hão de ser cinzas.”

    -“ Não têm serventia os longes, apelemos para os pertos.”

 Outro escritor teria dito

 Nunca vi um menino assim. (assim equivale a “igual a este”, naturalmente com umas tantas qualidades.” Assim” equivale a um adjetivo)

“ Aqueles poetas abrem na alma ‘longes” surpreendentes”  (Eça de Queirós)

Longes no sentido de divagações.

-Em toda vida há um antes e um depois.

-O hoje é consequência de ontem.

-Em “E agora, José?”

Agora seria uma espécie de palavra denotativa de situação.

-“E agora você passa e eu acho graça”- o mesmo caso anterior.

-Sei lá de você -Lá- palavra expletiva ,mas que apresenta um sentido vago.

-Posição do advérbio

-Ternamente ele ajudou a sentar o velho(realce do nome)

-Ele ajudou a sentar o velho ternamente-realce do verbo

-Rui agarrou vivamente o brinquedo-realce do verbo

-Vivamente, Rui agarrou o brinquedo-realce do nome

 D)Numeral

Numeral é a espécie do nome que indica o numero dos seres ao lado dos numerais propriamente ditos, chamados cardinais (um ,dois, etc.) que designam a quantidade em si mesmos ou uma quantidade certa de setes. Há os numerais que indicam o numero de ordens chamados ordinais (primeiro ,segundo, etc).  A serie de numerais cardinais em português decorre da serie correspondente em latim clássico, mas ouve também composições posteriores na base dos nomes de números fundamentais(ex: vinte e um, duzentos e quarenta)

  O quadro dos  numerais ordinais é muito complexo ,daí se usarem como ordinais os próprios cardinais. É o que geralmente fazemos para os dias do mês, as horas do dia, as idades, as casas de uma rua ,as paginas ou capítulos de um livro,” pelo menos de certo ponto em diante”(vinte quatro de agosto ,doce anos ,página sessenta e três, capítulo trinta e dois, etc.)

   Estabelece-se que para século, soberanos, e papas usa-se ate dez o ordinal e de onze em diante, o cardinal.

     Na designação dos dias dos meses usa-se o cardinal para todos .Na opinião de Antenor Nascentes.

   Ate o décimo século usa-se o ordinal por extenso e antes do substantivo: depois, usa-se o cardinal escrito segundo a numeração romana; ex :quarto século, século xx.

               Além dos numerais cardinais e dos ordinais ,há os que exprimem aumento ou diminuição, chamados numerais fracionários. O aumento proporcional(dobro, triplo) é chamado numeral multiplicativo; a diminuição proporcional e indica por frações de quantidade, o que lhe justifica a denominação de numerais fracionários(terço ,quarto);do fracionário oitavo para oito, tirou-se por metanálise o sufixo avos que passou a substantivo, para indicar o elemento fracionário em si mesmo cinco avos.

III   Flexão dos nomes

  Processo de fazer variar um vocábulo para nele expressar dadas categorias gramaticais.

 A flexão consiste, portanto ,em aplicar ao vocábulo um morfema:

a)aditivo(flexão externa)

b)subtrativa,(alternativo, reduplicativo(flexão interna)

      Fica assim a variação respectivamente fora ou dentro de radical.

      -As flexões nominais a serem tratadas são: gênero, número e grau.

1-Gênero: Em português e demais línguas românicas, assim como no árabe e hebraico há uma divisão em :masculino e feminino em que se repartem todos os nomes. No latim havia um terceiro gênero, o neutro.

      A distribuição aos nomes de animais indica associação entre as duas classes e as noções de MACHO e FEMEA.

Traduzem assim a intenção de tratar linguisticamente pelo critério do sexo dos seres. Porém, tal associação é muito frágil.

          Primeiramente os nomes de coisas inanimadas também são distribuídas nas duas classes .Em segundo lugar ,entre os próprios nomes de animais há os que são exclusivamente masculinos ou exclusivamente femininos, para ambos os sexos.

EX: a cobra, o tigre, etc. Ate em referencia a espécie humana há nomes de gênero único:

A testemunha- cônjuge.

As gramáticas normativas costumam fazer uma distinção em genro NATURAL  e gênero GRAMATICAL.

Termos como cobra e tigre, aí são ditos epicenos, e em regra se explica que eles formam o masculino e feminino acrescentando as palavras macho e fêmea.

Linguagem mais adequada seria dizer que tem um gênero indicando o sexo ,indiretamente, quando necessário( e não  sistematicamente como um fato da língua) pelas palavras macho e fêmea.

Observado de um ponto superior que nos proporciona a linguística geral, o nosso gênero não é- como bem frisa Vendryes –  senão  uma modalidade da divisão em classes, que se encontra para os nomes.

    Considerando-as sob esse aspecto temos de concluir que a distinção dos sexos ocupa um lugar relativamente pequeno entre todos aqueles meios que emprega a linguagem para expressar classificações “genéricas” e que representa apenas uma corrente particular na imaginação linguística e não um principio universal (Cassire)

      A tentativa do linguista austríaco Wilheln.

Smith distingue quatro correntes orientadoras nessas classificações :

1-a ‘VITAL” -que separa os seres em animados e inanimados;

2-a  ‘PESSOAL’- que o separa em pessoas e coisas;

3-a ‘SEXUAL’- que cria o gênero masculino e feminino;

4-a ‘NUMERAL’- que encara a forma exterior dos seres ,levando em conta a possibilidade de sujeita - los a enumeração.

     Quebra ,porém, o equilíbrio dessas  rígidas linhas teóricas, acrescentando uma quinta corrente, da qual surgem “sistemas ricos e completos, em que esta para apurar, se resultaram da combinação de dois ou mais dos sistemas anteriores ou provieram de outros critérios especiais”

Certo é que os quatro primeiros sistemas não aparecem sempre isolados.

Nem a distinção entre pessoas e coisas resulta numa distinção entre seres superiores e inferiores.

Resta considerar que entre animados, coisas, fêmeas ,há tantas interferências que as distinções não se realizam na prática. O próprio Schmidt ressalva, de antemão, não ser exato dizer que tenha havido sempre um objetivo nítido de trazer ordem a pluralidade e melhores condições de preensões, pois “atuaram impulsos psíquicos em que ,pelo menos de inicio vinham tais objetivos .Por tudo isso o gênero nominal, dentro a linguística é uma  visão caleidoscópio, em que variam  o numero das classes,as linhas da classificação e a maior coerência com que essas linhas são obedecidas.

Nas línguas indo-europeias fazem da oposição dos sexos o ponto de partida essencial para o conceito de gênero estendem a classificação para masculino ou feminino dos nomes das coisas inanimadas.  F. Bopp admitiu que os homens primitivos indo-europeus tenham transmitido a noção de sexo do reino animal para todas as coisas do universo .Modernamente ,muitos linguistas se mantém nestes caminhos. Não há negar que a noção dos sexos tenha interferido na distribuição dos gêneros indo-europeus, mesmo no âmbito de coisas inanimadas.

Nem sempre é provável ou se quer aceitável a explicação do gênero de uma coisa por essa associação de ordem.

Carl Buck diz, entretanto que “há dificuldades em prosseguir esta maneira de ver em detalhe, prefere aceitar a  categoria de gênero como uma tradição histórica ,cuja constituição se perde na obscuridade de um remoto passado.

Muitos outros linguistas opinam a esse respeito.

Gramaticalmente o feminino se indica pela desinência em oposição desinência zero e para o masculino.

EX: loba, bela ,com a  supressão morfofonêmica da vogal temática de lobo, belo.

“A testemunha”- testemunha é um substantivo feminino (gênero gramatical),mas o sexo real no caso, é masculino.

Com relação  a gênero ,devemos distinguir os seguintes tipos de substantivos:

a)sobrecomum-substantivos que possuem um gênero gramatical e que podem designar pessoas dos dois sexos reais.

b)epicenos-substantivos que só possuem um gênero gramatical e designam animais dos dois sexos :a cobra, o jacaré, a jiboia, etc.

  Se eu digo:

     A cobra macho é perigosa, o substantivo cobra continua a ser feminino o que se caracterizou como masculino foi apenas o sexo real do animal.

   Diz-se: a cobra macho

                 O jacaré fêmea ,numa concordância por silepse dos adjetivos macho e fêmea.

     c)comum de dois gêneros:  são substantivos que possuem os dois gêneros gramaticais mas sua forma não varia-o artista

                                       a artista

 Normalmente os substantivos possuem os dois gêneros gramaticais e os indicam por alteração desinencial:

O menino ,a menina, o conde, a condessa.

Cumpre ainda notar que no caso de certos substantivos que so tem um gênero gramatical e designam apenas ser de um  dos dois sexos reais,o substantivo que da nome ao outro sexo real não é seu feminino ,mas sim um outro substantivo.

Assim vaca não é feminino do substantivo boi, são dois substantivos diferentes(heterônimos),dizem alguns gramáticos).Pode-se dizer que vaca é e nome da fêmea do boi e não  que o substantivo vaca seja feminino do substantivo boi

     Gênero do adjetivo

    Dizemos que o adjetivo pode ser:

a)uniforme-quando possui uma única forma para acompanhar substantivos masculino e femininos. EX: homem húmil e mulher humilde;

b)biforme-quando possuem duas formas :uma para o substantivo masculino e outra para o substantivo feminino. EX: rosa vermelha, cravo vermelho.

Tipos mais comuns de alteração desinencial para a formação dos substantivos:

Troca de “ o”  por “ a “;
ex: rico-rica/aluno-aluna

2-troca” eu”  por “ia “;

Ex :sandeu-sandia/judeu-judia

3-troca ” eu” por” eia”;

Ex: ateu-ateia/europeu-europeia

4-troca “éu”  por “oa“;

Ex: ilhéu-ilhoa/tabaréu-tabaroa

5-acréscimo de “a”;

Ex: espanhol- espanhola /aviador-aviadora/Frances -francesa

6-acréscimo de essa” Isa, esaIna”;

Ex:alcaide-alcaidessa/doge-dogesa/czar-czarina/papa-papisa/javali-javalina/poeta-poetisa/jogral-jogralesa/herói-heroina

7-os nomes em ão podem:

a)mudar para “oa“;

ex: leão- leoa/pavão – pavoa / leitão-leitoa

b) mudam em  “ona”;

ex: chorão- chorona/ valentão-valentona/beberrão-beberrona

c)mudar para  “ã “;

ex: anão-anã/cristão-cristã

Alguns fogem a esses esquemas.

Ex: ladrão –ladra/sultão-sultana/barão-baronesa

 Também os nomes em ter e dor em que normalmente acrescenta-se a (cantor-cantora, doutor-doutora)

Podem trocar a terminação por triz

Ex: autor –atriz /imperador-imperatriz

Outros adotam os dois femininos:

Ex :mediador-mediadora ou mediatriz/gerador-geratriz

Há substantivos que são masculinos ou femininos conforme o sentido com que se acham empregados:

Ex : a capital(cidade principal)

              O capital(dinheiro)

                A cabeça(parte do corpo)

                O cabeça(chefe)

  A língua(órgão muscular);o língua(interprete).

Substantivos que só se usam no masculino:

O dó

O diadema

O formicida

O sósia

O champanha

O telefonema

O clã

O saca-rolhas

Substantivos que se  usam no feminino:

A cal

A faringe

A aguardente

A abusão

                A alcíone

               A cólera

               A dinamite

               A fruta-pão

               A aluvião

             A derme

  Acontece,  às vezes, tomar a palavra e gênero do nome com que a relacionamos mentalmente. Assim, diz-se: a diagonal por a linha diagonal ;o Minas Gerais por o navio  Minas Gerais; o noturno por o trem noturno; a filial por a casa filial; o Amazonas por o rio Amazonas ;o Etna por o vulcão Etna ;o Itamarati por o palácio Itamarati.

Podemos ter a indicação do gênero pela alternância do morfema.

EX:  avô  avó

Morfema de alternância

Números  dos nomes

Categoria gramatical que leva em consideração o numero dos indivíduos designados nos nomes. Em português pode haver singularidade da ideia. O numero é singular quando o nome designa um só individuo  ou vários indivíduos  considerados num todo .É plural quando há um morfema indicando tratar-se mais de um indivíduo. Em português se indica o plural pela desinência constituída da consoante sibilante ,pós- vocálica, representada na escrita por s.

O singular se indica pela ausência dessa desinência ,ou morfema zero.

O morfema do plural em português é s por causa da origem mórfica dos nomes portugueses que provem do acusativo latino.

Plural dos substantivos e adjetivos simples

1-     Acréscimo de “ s “:

Mesa-mesas

Pente – pentes

Abacaxi – abacaxis

Livro - livros

Bambu – bambus

Lei – leis

Mãe – mães

Irma – irmãs

Órfão – órfãs

 

2-     Acréscimos de  “ ES “ ;

 Mar – mares

Revolver – revolveres

Luz – luzes

Rapaz – rapazes

Ás – ases

Mês – meses

3-     Nomes em:  alEl, olul, trocam o l por is;

Canal – canais

Laranjal – laranjais

Anel – anéis 

Coronel – coronéis

Lençol – lençóis

Paiol – paióis

Azul – azuis

Paul – pauis

4-     Nomes em  “Il  “tônicos ,trocam o l por s;

  Pernil – pernis

Barril – barris

              

          - em “ Il  “átono,troca-se por  “eis “;

Útil – uteis

Ágil – ágeis

OBS:podem ser paroxítonos ou oxítonos,apresentando dois plurais:

Réptil ou reptil(répteis ou reptis)

Projétil ou projetil(projéteis ou projetil)

5-     Os de terminados em m,trocam o m por n e acrescentam s

               Homem – homens

               Armazém - armazens

6-     Os de terminação s e átonos,o plural é igual ao singular.

               O pires – os pires

                O ônibus – os ônibus

               O Oasis – os Oasis  

- o mesmo acontece com os terminados em x

                          O tórax – os tórax

                          A fênix – as fênix

-os terminados em x com valor de CE(final com que podem ser grafados) fazem o plural em ces.

Ex: cálix – (cálice)- cálices 

      Apendix –(apêndice)-apêndices

7-     Os nomes em n acrescenta-se s ou ES

Exs: abdômen -  abdomens ou abdômens

        Dólmen -  dolmens ou  dólmenes

        Gérmen – germens ou gérmenes

        Regímen – regimens ou regímenes

        Espécimen -  especimens ou especímenes

        Certamen- certamens ou certamenes

- a melhor forma para estas palavras seria:

  Abdome,dólmen,germe,regime,espécime,certame.

-Canon,melhor  seria cânone

8-  nomes em ão fazem o plural de três modos:

a)      Em ões (a maioria deles)

Coração – corações

Questão – questões

Oração – orações

Fusão – fusões

Condução – conduções

(aqui  cabem os substantivos abstratos )

b)      Em ãos

Órgão – órgãos

Órfão – órfãos

Acórdão –acórdãos

Mão – mãos

c)      Em ães

Capitão – capitães 

Cão – cães

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